sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Confessionário

Confesso que Hoje me deu aquela vontade louca de ser um rio. Só pra poder desaguar em quantas marés eu pudesse...Um rio não escolhe, ele simplesmente vai. Abra o caminho e lá estará ele, seguindo tímido ou levando casas, mas ele vai. Forte, determinado, pelos menores buracos...Desde a nascente escondida, até o descer de cachoeiras, qualquer percurso não planejado fará, convenientemente, parte do caminho...Um rio não precisa decidir... Ele se espreguiça até onde der, onde alcançar, correndo sem ficar exausto. Rios têm atitude. Rios não têm vergonha. Rios nunca se arrependerão.
Um rio não precisa querer voltar. Ele já passou, mas continua ali de alguma forma. Com correnteza ou sem, nunca estará do mesmo jeito, nunca estará no mesmo lugar. E, mesmo assim, quem o vê, pensa que vê o mesmo rio, a mesma água...Rios podem ganhar força. Podem se unir à chuva, se unir à terra. Mas nunca desistirão. Nunca deixarão seu elemento. Rios nunca perdem a graça. Rios seguem sua própria regra...
Um rio pode virar mar. Pode encontrar outros rios, pode virar novo...Um rio pode gerar e embarcar vidas. Pode fazer bem, seguir bem...E, claro, um rio pode secar. Mas deixará seu rastro, deixará a falta.
E, melhor do que ninguém, um rio não tem medo. Segue seu curso, decidido. Ele sabe que a sua missão é essa. Não há erros, não há fim, não há obstáculos...Há só as suas pequenas milhares, bilhares, incontáveis gotas. Aquelas que, assim como eu, têm medo da vertente escolhida. Têm medo da descida da cachoeira. Têm medo do desapego, do raio do sol na superfície.Mas, que ainda sim, sabem bem, que fluir é necessário...E pode, inevitavelmente, levar pro mar.



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