sábado, 10 de março de 2012

Depois da Meia- Noite

Confesso que ela se perdia assim, em uma tarde de chuva derretida. Com os pés descalços e o coração desbotado... enquanto algo dentro de si gritava com um silêncio mudo.
Ela poderia correr o quanto quisessem, e também poderia fugir e se  embrenhar no desconhecido  caminho à sua frente. Paisagens novas e rostos  frescos de memorias não utilizadas. Naquele horário ela podia ser quem quisesse e mesmo assim tudo estaria certo. Naquele momento ela se perguntava por que disse a ele tantos adeuses e nunca o deixou partir. Naquele horário ela sabia que podia ser vista, achada ou perdida. Podia brincar de roda e até acreditar no blábláblá encantado da  Disney.  Depois da meia-noite ela preenchia o silêncios com  suspiros vazios de uma melancolia calculada. E então afastava seus suspiros, seus dissabores, suas dores, com um falso riso e um som cristalino de inutilidade ornamentada, e quando se atrevia a olhar para dentro, via monstros e aberrações disfarçadas em um heroísmo barato. Sua força arquejava com uma respiração lenta e pesada em que o ar se recusava a entrar, a existir. Era forte. Ou pelo menos, era o que aparentava. E se algo estivesse errado, sorria. Um sorriso sem sol, sem sal, sem calor. Sem nada. Como se soubesse tudo. Como se não soubesse nada. Fingia, era certo. Fingia muito bem. Fingia saber qual estrada seguir, quais passos dar, sabia quando fazer os olhos sorrirem. Fingia uma certeza inexistente e acreditava em fantasmas, assombrações e bicho-papão à meia-noite.
Acreditava em verdades perdidas, mal ditas e malditas... verdades fantasmas. Verdades que não eram mentiras, nem verdades. Verdades. Sabe como é? Ela fingia que sim. Fingia muita coisa. E até o seu sol parecia de mentirinha. Uma brincadeira inconsequente de cores sem cores. Depois da meia-noite, abraçava  seus sonhos, abocanhe seu ego, rasgava suas flores e dizia a si mesmo o que no outro dia fazer.  Ela não deixava seus sonhos irem muito longe e os mantinham acorrentados, pois tinha medo de ser abandonada, de ver seus sonhos atropelados nas rodovias esburacada. Segurava-os entre dedos muito leves e unhas sempre coloridas, escarpadas de um sangue barato. Depois da meia-noite só restava ela. Ela e seus contos, ela e seus fantasmas. Depois da meia-noite um corcel de fogo vinha lhe salvar entre sonhos e almofadas. Depois da meia-noite o que restava?
Lance os dados. Quero correr por campos coloridos. Pode me levar até lá? Te deixo entrar no meu mundo e você me acompanha enquanto eu te dou minha mão. E te largo entre labirintos bem desenhados. Sou escorpião, amigo. Sabe qual? Aquele que te abandona, te fere e se mata com venenos ilícitos , porque depois da meia-noite, se eu fosse você, corria por sua vida. Corria pra sempre. Ela era assim. Contos de princesas em cemitério. Mas era tudo muito sem querer. Um acidente delicado. Desses tão irônicos e trágicos que buscam uma gargalhada cínica no fundo da garganta. E uma lágrima espremida dos olhos. Uma antítese quase perfeita, quase feita, quase inteira. Quase ela. Esqueça as palavras. Elas aqui não te ajudarão, não te levarão para lugar algum. Porque da boca não virá verdade alguma, salvação alguma. Nem muito menos maldição ou um sem-fim de pragas. É o fim do mundo. Acredite em mim. Suas mentiras eram quase sinceras. E tinham um fundo de verdade, um fundo de dor. É só pra te proteger, juro. Pra te proteger de tudo aquilo que não conhece e não entende. Acha que está vendo o que está vendo? É ilusão de ótica, garanto. Tudo de faz de conta. Faz de conta que era assim, que não era difícil , nem tão complicado, nem tão solitário. Faz de conta que tudo era verdade. Faz de conta que você entendeu, e aceitou e amou. Faz de conta que não parou de mandar suas mensagens a meia-noite, e faço de conta que não as espero no mesmo horário. Faz de conta  que não me afogo no seu sorriso as vezes tão falso. Pegue minha mão que o sol já vai nascer. Vou te libertar pra sempre.
Até a próxima meia-noite.



Resposta


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Confesso a Saudade.

Confesso que estou assim. Levando sustos com o tempo, acariciando as horas que sempre me mordem... cínicas. Por que não é você que me persegue. É o seu fantasma. A memória daquilo que não vivi. O desejo daquilo que não tive. Por isso toda noite, antes de dormir, eu peço pra que alguém me escute, pra que alguém cuide de mim. A verdade, é que toda noite eu peço a Deus pra gente um dia dá certo (...)
Toda vez que sonho com você, isso me parte o coração. Toda vez que não sonho com você,  me parte o coração também. Quando você não aparece no meu faz de conta pra me dizer boa noite, pra fazer meu coração disparar, e me sorrir esse cheiro que só você tem.Tão seu. Tão meu.
Está faltando seu sorriso por aqui. Me parte o coração você nunca estar nas esquinas do meu mundo.
Olho sempre pro celular. Parece que algo dentro de mim me diz que você vai ligar, ou mandar aquele velho SMS que diz a mesma coisa no fim: -" Se Cuida". Estranho, queria na verdade ler ... me espera que amanhã chego aí. Vou cuidar de você!
Mas é que ficou tudo tão complicado que só a solidão ficou me fazendo companhia, e a sua voz sumiu do meu ouvido, e as canções agora são feias...e eu não entendo nada disso.
Essa via de mão única me dói inteira, e o relógio me sufoca, e o final de semana parece um abismo, e os dias são lentos. Vou acabar batendo meu rosto em algum poste de insanidade... ou seria num poste da saudade? 






Confesso que eu não me importo com você.E digo novamente, dessa vez não pra você. Pra mim mesma.
Seus olhos vivem perdidos em algum lugar e quando olho para o fundo deles, eles estão sempre pesados de alguma dor que eu não consigo conhecer.
-Então, o que eu quero? Eu preciso acreditar em qual mentira? O que é necessário acontecer para eu deixar de vez o seu fantasma partir? Eu estou confusa (...) Minha confusão não é pela pergunta, mas pela resposta.
Sei. Sei que você ainda não me respondeu. Mas desde quando preciso de palavras pra entender os seus olhos sempre baixos, como de ressaca?!
-O que eu quero?
Amor. Mais não esse bobo que você promete pra sua namoradinha. 
Eu quero é conseguir amar.
E depois disso, aceitar que alguém me ame. 
O mundo e as estrelas que você promete não me interessam.
Eu esperei por nós dois, até o ponto que vi que nos perdemos de uma forma que não voltaríamos...
Perdemos? Ou achamos? Sabe-se lá.
Só sei que o coração ainda bate de forma irregular.
Quem no mundo poderia prometer ao outro a capacidade de amar?
Ela se viu pensando isso horas depois, dias depois,semanas depois... anos depois...



domingo, 9 de outubro de 2011

Confessionário


Confesso que espero que me deixe iludir mais um pouco, que eu acredite que seu sorriso é meu, que quando você acorda, tem um pensamento em mim. Deixe que eu acredite que a lua é minha e que aquele instante foi precioso. Deixe que eu acredite nessa realidade inventada, nesses sonhos absurdos, nesses instantes de felicidade barata, fugaz. Deixe que eu acredite que era você que eu procurava sem saber, que foi você que me achou. Deixe que eu pense que finais felizes são possíveis, mas não finais, apenas felizes.
Ainda procuro por alguém que não tenha medo de mim. Que não tenha pena de mim. Que não tenha medo de pular esse abismo, mesmo que seja para se espatifar no chão. Entende?


Confessionário (Lateja)

Confesso que vou me achar por aí, perdida entre a roupa largada pelo chão. Vou me vestir de mim mesma, me revestir com minha armadura rachada, que me protege dessa solidão que ameaça se instalar e nunca mais ir embora. Vou me proteger de você, porque cansei de me doer.

Mas é que de vez em quando a gente é surpreendida com um coração que lateja.

Lateja, lateja, lateja...



segunda-feira, 5 de setembro de 2011