quinta-feira, 9 de junho de 2011

Confessionário (Em minhas mãos)

Confesso que quero que fique e veja até onde vou.
Vou longe e para nunca mais voltar.Caminhando com meus próprios pés no caminho que escolhi a dedo. Sou exigente e me mato apenas por capricho. E depois ressuscito, linda e solta no mundo que me pertence, e que absorvo com as palmas das mãos. O mundo cabe aqui e não julgo o interminável cansaço de existir.

Não sou um resumo, sou milhões de outras coisas que você nunca entenderia.
Se eu contasse... Mas nunca lhe contaria. Pois que eu desnudasse minha alma, terminaria me perdendo nesse imenso labirinto que sou e me sufocaria sem proteção pelas minhas ervas daninhas que cultivo com tanto carinho para te manter longe. Eu seria minha própria armadilha, meu próprio veneno. E minha cura. Nada me salvaria de mim a não ser eu mesma. E sendo assim, te deixo sem proteção nenhuma de mim, por me importar e por não me importar.Te vejo e te beijo.Te sangro e te curo.Com carinho psicótico e doentio.E depois vou embora.
Te deixo despedaçado sob lençóis frios.Tenho meu coração em minhas mãos.Pela primeira vez eu tenho... Haha


terça-feira, 7 de junho de 2011

Confessionário (Culpada)

Confesso que sou toda isso. A Culpada 
Um pacote estragado. Sem selos suficientes. Perdida no caminho entre aqui e lá, tentando se decidir qual saída de emergência é a mais fácil, a que está mais próxima, empurrando uma espada invisível e matando todo carinho declarado, toda tentativa tola de ser alguém para alguém. Toda lógica insensata de amar. Amar e ser amada. Perdoar e ser perdoada. De não mais deixar, e de nunca mais ser deixada.

Confessionário (Ásperas)

Confesso que Percorri todo meu deserto em busca de mim mesma. E o que encontrei foi meu mar de pecados disfarçados de um cinza-camaleão.Estou procurando. Estou encontrando. E tudo isso é meu. O que vivi e o que sonhei. Amores que sufoquei. Hematomas na alma. 
Vou te expulsar de mim amanhã. Hoje ainda nãoPreciso dizer seu nome mesmo que não seja para ninguém. Vou deixar minhas tristezas, minhas máscaras, minhas roupas pelo chão... e pela casa vou te encontrar perdido pela minha imensidão. – Eu te dou minhas forças para que você não se quebre quando eu te mostrar meu mundo. Para que você não se perca eu te dou minha mão. Vamos juntos só por hoje que o mundo é grande demais para se estar tão só. Amanhã eu te parto de mim com uma faca sem corte.
Vai doer.
Já te digo desde já...

Sem pressa e sem dor. Esse mundo não é meu, mas eu não tenho medo.
Não esteja lá fora quando começar a chover. Não espere para ver as lágrimas do sol. As lágrimas da lua. Não existe essa coisa de aprender a amar. Não existe isso de sentido. Destino. Me deixe ser o que quer que eu seja. 

Não me ame, eu pedi. Mas não me odeie, eu implorei. Algum dia fará sentido, eu prometo. Quando me esquecer.
Minhas palavras ásperas não mais te arranharão.


Confessionário (Confesso)

Confesso que esses dias estão bem cinzas e meu humor muito camaleão, que o tédio me entedia e que a fantasia me vicia, que não gosto desse meu sorriso forçado nem do meu olhar acuado.
Confesso que quero gritar alucinada para assustar todo mundo e pra me assustar também.
Confesso que aprendi a amar quem eu sou, mas morro de pena de quem tenta me amar, faço mais mal do que bem, mais arde do que sopro. Mais tempestade e menos vento.
Confesso então... Que Sou uma grande bagunça, com prédios partidos e pontes longas que se abrem no pior momento e lançam no mar meus sonhos que marinheira de mim, não sei buscar.

Confesso que não como salada e nem tomo leite quente, mas sonho em vão.
Confesso que acordo confusa no meio de um sonho bagunçado e não é apenas meu quarto, é meu mundo, meus olhos, meu bairro. E se olho ao redor posso jurar que tudo está igual, o mesmo vão, a mesma porta, a mesma solidão. Retratos amaldiçoados e olhos estampados de xadrez sem cor, sem alma, sem voz.
Confesso que adoraria confessar meus crimes, me achar, me perder, te deixar. Mas confesso ainda que já fui julgada e meus crimes, eu os joguei pela janela, sem semi-desculpa dessa vez, sem acertar e nunca errando. Confesso que não faço sentido e não me importo por que me entendo sem nem precisar usar as palavras que aprendi tão pequena e que cresceram e me queimaram com carinho doente e são.
Confesso que nada é o que parece e tudo é o que é. Sem respostas fáceis, sem carinho e corrimão.
Confesso tudo só para descobrir depois que não confesso nada porque não sei dividir meu mundo com ninguém, nem meus sonhos, nem meus delírios.


Confessionário (♥

Confesso que muito pensamento faz 
sangrar o coração.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Confessionário (Fantasmas)

Confesso que preciso Confessar:
Desculpa, mas hoje não choro por ninguém. Meu único consolo - que desse não há consolo mesmo - é saber que sei aquilo que ninguém mais diz, é saber que, relativamente, sei de gentes e de futuros. Meu único consolo é que embora eu não veja aquilo que quero, sei sempre ver o que importa, mesmo que na hora em que devo dizer, eu permaneça muda, entalada pelo que sei. A gente anda tão só nesses últimos dias! Esses últimos segundos! A vida só existe nesses últimos segundos enquanto ainda retenho o pouco que sei. A vida dura muito pouco.
Eu e meus fantasmas vamos bem, obrigada. Uma grande família feliz, unida por sangue e lágrimas derramadas.


domingo, 5 de junho de 2011

Confessionário (Errado sempre)


Confesso que eu tinha razão em não acreditar nesse amor.
Era assim:
“Eu não te quero mais, ele disse com os olhos cerrados e opacos, olhando para o chão, apavorada demais para dizer a verdade.
“Então tá, ela respondeu com seu orgulho ferido, olhando além dele.
E então foram embora, cada um para um lado. Ela levando embora seu amor e suas juras eternas. E ele carregando mais sonhos estragados. Ovos podres de um sorriso falso.
É, eu tinha razão.
Se pudesse voltar, eu faria tudo certo dessa vez, ele pensa em frangalhos, sentado em uma sala escura,com sua máquina carregada de sorrisos falsos,acompanhadas de nomes repetidos. Então a verdade aparece para lhe socar a cara: Você não sabe ser a pessoa certa, ela sussurra com um ácido cortante.
Você seria o Errado Sempre!


Confessionário (Bússola)

Confesso que posso até estar perdida, e minha bússola não apontar para o norte. O mundo pode estar girando rápido demais e isso pode até estar me deixando tonta, e a mesma música toca no rádio cinco, dez vezes seguidas, é aquela voz que curiosamente linda e rouca grita minhas dores sem o menor pudor.
Eu acordei. E isso é lindo! Mesmo que eu não possa gritar a plenos pulmões - porque o mundo não entenderia. Mesmo que a claridade do mundo me cegue, mesmo que a dor ainda escorra de veias abertas. Ainda assim é lindo. Quero continuar acordada – mesmo que seja dentro da minha própria escuridão.
Às 4 da manhã, o mundo me afeta menos. O mercado vazio ecoa meus passos perdidos. E os olhos, ah! Olhos nenhum me seguem ou me notam. Uma plena casca vazia.
A noite me chama com um sussurro desesperado.
Às 4 da manhã ninguém olha a Lua. E eu estou a salvo.
E que eu não me lembre. Deus do céu, que eu não me lembre. Vidas passadas nunca me interessaram. Sempre destruí meus mundos, e nunca me arrependi – me deixa destruir mais esse, sem medo dos seus fantasmas. Sem medo de acordar encharcada em suor gelado.
Que você vá embora, meu adorado passado, e nunca mais volte para me assombrar – se não estará lá para segurar minha mão quando o grito assolar minha cama vazia.
Que todos aqueles beijos de eterna despedida me abandonem. Braços, sonhos, sorrisos, luzes, voz... cheiro.
Eu só quero me libertar.

Se ninguém nunca vai ficar até que a dor se vá, por favor, que eu pelo menos não me lembre de como era bom sorrir. De como minha escuridão se encolhia trêmula de medo. Eu te amo era uma grande tortura, tesouras cegas. Não vá! Não posso gritar pois você não escutaria, não me veria, nada. Não importa, eu grito, não minto mais tão bem. Não importa.
Vou me jogar em outro abismo. Daqui não vejo mais as estrelas.


Confessionário (Perto,Longe)

Confesso Senhor que quero que dance para mim essa valsa solitária porque meus pés estão doendo e o ritmo me incomoda. Olhe para mim e veja além. Que meus olhos estão cansados dessa poeira inútil, não quero sentir essa dor,nem te causar dor. Ou  te sentir perto se está tão longe.Nunca te vi,talvez, nunca te verei. Estou aqui parada nessa encruzilhada com flores venenosas nas mãos. Esperando que você apareça. Em vão. Com esperança nas mãos (...)


Confessionário (Tanto)

Confesso que hoje não me arrependeria, não te deixaria, seguraria entre seus dedos o instante , o agora e levantaria também a bandeira. Bandeira do Amor.
Preciso tanto dela. Tanto.


Confessionário (Confesso)

Confesso tudo só para descobrir depois que não 


confesso nada porque não sei dividir meu mundo com


 ninguém, nem meus sonhos, nem meus delírios



Confessionário (Luau)

Confesso que eu não sei. Talvez já não haja mais nada para dizer. Mas é que essa noite foi tão absurdamente incrível que algo deveria ser dito. E não foi nada demais não. Apenas a vida. E esse momento de extrema doçura, espero não perder. Porque toda lembrança é em carne viva. Mas nem por isso dói. Na verdade dói sim, mas é uma dor que cura. Porque nem todo sangue é ruim. Nem toda bondade é boa. E nem toda vida é intensa.
Nesse exato momento eu me sinto mais viva que nunca. Mais acordada. Mais lúcida do quase nunca. Eu estou lúcida e o mundo brilha em cores que não conheço. Não quero dar nomes. Não quero limitar meu mundo porque eu também não tenho nome
.
Mas tudo está vivo. Tão vivo que meu coração dá um pulo, vai na lua e volta. Tudo está vivo e os faróis me lembram que também estais aqui.
Quero estar aqui. Quero ser essa pessoa indizível e de gostos estranhos, que procura amar através de muros de concreto. Quero acreditar. Acreditar só por acreditar. De graça mesmo. Como se ao não ganhar nada eu ganhasse algo.Como se não mostrar algo a alguém fosse mostrar a mim que existo e vivo. ABRO OS BRAÇOS
Porque é só nesse momento agora que tudo isso existe. Precisava caminhar. Tantos pensamentos dentro da cabeça dá pra fazer o mundo parar. E não quero que nada pare. Quero continuar correndo atrás dos meus sonhos agarrada à essa estranha realidade onde o vivo e o real me dominam com um sorriso bobo. Estou sorrindo. E estou sorrindo porque estou viva. E você?


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Confesso que ela é assim. Muda. Calada. Apática. Sem sinais óbvios de linguagem. Nem mesmo corporais. Não é que ela não soubesse. Ela apenas não queria. Quem é que a julgaria por esse simples detalhe? Se ninguém notasse, então nada mudaria. Se ninguém a visse então ninguém notaria. Havia tantos ninguéns. Havia tanta coisa subentendida em olhares perdidos e secos. Havia sintomas de saudades impressos em tintas coloridas e brilhantes que enfeitavam salas sem visitas. Atuações. Charme. Obsessão. Ela era um pedaço de céu azul em uma tarde cinza. Ou seria o contrário? Apenas uma estrangeira em terra amada. Terra nascida. Uma estrangeira por natureza. Por incompatibilidade sanguínea. Por escolha própria. Por vida própria. Seu estrangeiro era o mundo lá fora. Ondas cerebrais de pássaros cantantes. Notas musicais sem cor e sem riso. Pátria de ninguém, só para variar. Tão clichê, pensou. E tão real.





Confessionário (Apenas Hoje)

 Confesso que hoje. Hoje apenas. Vamos dizer assim. Estou inteira apesar de despedaçada. Não vou dizer que nunca vi essas asas bagunçadas nem esses olhos inchados. Não vou mentir nada disso. Não quero esse sonho morno nem esses dias calmos. Apesar de tantos pesares, acho que consigo montar esse quebra-cabeça e encontrar a saída. Vou admitir só hoje, só para ninguém, porque não estou buscando respostas. Prefiro as perguntas. Será que vai durar? Será que vai cicatrizar? Será que vai passar? Será que o mundo continua? Será que dá para notar? Costurando os retalhos, esses pedaços inacabados de um tempo perdido, de horas agradáveis e sonhos curados.
Não vou fazer acordos. Não vou aceitar pedidos. Quase perdi tudo isso. Quase perdi muita coisa e no final ainda acho que tenho sorte porque continuo aqui. Entrevada com dizeres inúteis e desculpas esfarrapadas. Mas ainda aqui. Inteira e intacta com ponteiros de uma bússola quebrada. Com erros acertados e uns momentinhos de absurdos agradáveis.
Posso correr. Posso me perder. Posso até sonhar com parafusos derretidos e olhos frios. Posso dizer que superei. E posso até mesmo superar de verdade e parar de sangrar essas mentiras gentis com gosto de chocolate e energético quente. Posso acordar e descobrir que toda essa realidade existe e toda a fantasia misturada nessa casa bagunçada. Refúgio. Abrigo. Qualquer coisa. Eu conserto e me acerto. Me acho e me deixo. Olho e perco. Porque não quero nada.


Confessionário (três, dez, cem)

Confesso que  sempre ela engolia a dor. Levantava-se rodando pelo quarto e contando até três, dez, cem. Qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Ela estava cansada e não se sentia bem. Não. Eu estou bem. Dizia mais para si mesma do que para ninguém. O mundo não importava. Só seu universo onde se contorcia cansada demais de tantas amarras, tantos tombos. Pronta para tudo o que viesse. Ela apertava as mãos como se algo pudesse escapar, como se o mundo pudesse quebrar. Então seus olhos choravam. E ela os fechava como se pudesse evitar que o mundo desmoronasse. Mas tudo desmoronava. Ruía. Então sorria, áspera, como se tudo tivesse sentido. Houvesse um senso. Bola quadrada em mundo normal.
Eu me esqueci. Mas sei que devia me lembrar. Então agora eu lembro. Minha escuridão é minha. Só minha. Não devia ter estragado seu céu com o meu cinza. Mas agora que me lembrei não vou mais esquecer. Que a escuridão que me acompanha é minha melhor segurança, meu remédio venenoso e uma parte substancial da minha própria alma. Talvez tudo tenha sido minha culpa. Veja bem, eu disse talvez, pois ainda acredito no livre arbítrio e por isso decido acreditar nesse talvez, insosso e sem nenhuma cor. Talvez seja muito minha culpa e ainda assim não estou nem aí. Meu mundo é meu e só meu. E acredite em mim, você seria esmagado se soubesse metade da minha verdade.
E ela se acanhava com olhos indecisos como se o paraíso fosse algum lugar que machucasse, como se o ódio não incomodasse, como se o mundo fosse um grande jardim de flores secas onde borboletas negras criavam seus furacões. O céu particular de um modo tolo e prático. Caminhe ao meu lado para que eu saiba que não estou só. Pare o tempo que quero descer. Pare as horas que quero pirar! Pare o mundo para que eu não me destrua.

E por favor, vá vender loucura em outro lugar.

Acendeu então a luz. Pronta para mais um pesadelo.


Confessionário (Sorriso Mofado)

Confesso que o que foi perdido foi encontrado. Nas entranhas do mal. Nos olhos do medo. E de coração assustado.
Não me deixe, ela sorria através de seu coração esmagado. Que seu sorriso desbotasse a ferrugem e a acidez, seu mundo se fragilizava com a ventania de um suspiro. De um aceno. De uma lembrança.
Dance comigo, esmagou por fim a salvação final.
Me refugio entre estrelas. Ouça meu suspiro. Veja meus olhos. Estou bem aqui. Parada no limite do tempo. Esperando que tudo que sonhei não tenha sido em vão.
Se eu despertasse agora, ainda assim não teria sua mão. Meus olhos de opala estariam frios
no meio de tanta solidão.
Mas já despertei. E quem não está aqui, nunca me verá.
Renasci mais forte do que nunca.
E meu destino me pertence.
Porque foi assim que decidi.
E você?
Venha comigo dizer adeus à dor.
E não ter mais saudade. Nem medo. Nem dó.
De deixar tudo para trás.
Quem me deu abrigo. E me aqueceu.
E me disse adeus.
Naquele tempo não existia mais nada ali. Era como uma grande explosão em que o silêncio engolia o caos, Ouvidos surdos. Palidez sombria e inconstante. Tudo em que se apoiava, caía - e tudo com uma graciosidade absurda. Como se o tempo se recusasse a deixar a dor ir embora e se refugiasse entre canções mal cantadas e cores desbotadas de paredes lascadas, de realidade manchada. Tintas sem cores. Pássaros sem sons.
Era assim que o Sol brilhava entre nuvens muito escuras e corações muito partidos. Tiros de algodão-doce e sonhos de coca-cola, seja lá o que isso significasse.
E tudo desmoronava.
Sem se importar.
Acorde!
Eu já teria caído.
Mas ela já teria se levantado.
De olhos bem abertos e sorriso mofado.