quinta-feira, 28 de abril de 2011

Confessionário (O que NINGUÉM entende!?)

Confesso que desejo o "diferente".
Então que fosse assim, que se trocasse o certo pelo errado. As curvas pelo beco sem saída. Que se escolhesse o que não faz sentido, que se esquecesse os planos, os cálculos, a lógica, o perfeito. Que se esquecesse o mundo inteiro. Talvez fosse exagero, talvez fosse exatamente o que faltava.
Não estava caindo, não naquele momento. Tinha os dois pés fixos no chão. Isso significa que também não estava voando. De alguma forma era triste, mas de alguma forma era todo um mundo de cores novas e bons sonhos. Sonos tranqüilos. Claro, havia vez ou outra os pesadelos. E a sanidade que tirava férias em ilhas tempestuosas.Dessas ilhas que se escutam ruídos, onde se vê mortes, fumaça & milagres. Meio LOST,sabe?!
E a saudade e a loucura que vez ou outra dançavam ciranda em volta dela - que sorria, quase contente. Pois um mundo de felicidade fácil não lhe interessava.Nada fácil lhe agradava. Fosse uma comida,uma bebida,uma viagem ou um novo amor.Nada fácil lhe interessava.Havia que ter sangue em ciclos regulares, veias abertas em momentos críticos para que seus momentos de euforia fossem justificados. Que existisse os tropeços, os abismos, e as colinas - para que se caísse, sempre por um fio, sempre por um dedo.Que se perdesse tudo, que o vento a levasse, que o mundo desabasse para que se pudesse construir novas fundações, dessas que nenhum furacão derrubasse, que tempestades avassaladoras não fossem capazes de devastar.Mas ela sabia muito bem que era temporário, tudo muito por acaso, quase sem querer. Ela não se importava de reconstruir seus mundos, pois sabia que sempre chegaria aquele momento... onde tudo estaria em seu devido lugar.
Ando simplesmente imersa em um mundo totalmente novo. Não, não é um mundo perfeito. Graças a Deus. Perfeição demais assusta. Não existe.
Sei que estas palavras não dizem nada... absolutamente nada sobre o que eu sinto. Penso que são uma espécie de presente. Alguns ganham flores. Eu prefiro palavras...
E na nossa perfeição relativa me sinto perfeitamente feliz.
O que me deixa mais admirada ainda não são as coisas que ele me fala, mas o simples fato de que ele me fala e o quanto eu tenho certeza de que aquelas palavras foram guardadas especialmente pra mim.
Quando me dizem que o meu nome combina comigo, mal sabem eles que o meu nome foi uma espécie de profecia pra mim. Deus cura. E curou mesmo. Todas as minhas inseguranças. Todos os meus medos. Curou meus traumas. Curou o meu coração. 
E quando na madrugada ele sorri pra mim, eu até acredito que o pra sempre existe... Iriam certamente me perguntar: Porque não aqui? 

Digam-me! Onde há gente nesse mundo?

Estou cansada de pessoas boas em tudo. Gente que não erra, não tem espinha, não tem mau hálito quando acorda ou que o cabelo nunca está ruim.
Quero gente que chora! Chora com sinceridade... Sofre com intensidade.
Gente que sorri para uma criança, para um idoso, para um homem, para uma mulher... Gente que sorri!
Meu Deus, por que é tão difícil falar sobre fraquezas?
Eu, sinceramente, me sinto melhor quando falo sobre as minhas. Sinto que isso me aproxima mais das pessoas do que as minhas vitórias.
Estou farta dos super-heróis que me rodeiam. Super-heróis que se esquecem que possuem a maior fraqueza de todas... Ignoram a maravilhosa oportunidade de ser humano
,ser filho de Deus.
''O medo fica maior de cima da pedra mais alta
Sou tão pequenininho de cima da pedra mais alta
Me pareço conchinha ou será que conchinha acha que sou eu?
Tudo fica confuso de cima da pedra mais alta.''


É tão difícil se atirar. Pular dessa pedra tão alta e cair num mar de dores e delícias.
Eu tenho medo.
Meus sonhos ás vezes parecem pedras tão altas. E olhar para baixo dá tanto medo!
Não busco a sensação do mar, mas a sensação da queda. O inesperado, o imprevisível e o incerto me atraem.
Ficar sentada aqui em cima da pedra me cansa. Eu penso em pular mas alguma coisa ainda me segura aqui. Amarras, receios, pessoas, palavras.
Mas eu me solto. Ah, eu me solto!
Com as mãos e os pés livres eu sei que eu posso ir. É, eu posso.
E agora eu vou. Vou ser honesta comigo e pular dessa pedra.
''Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome. ''
Definitivamente não tem nome. O que eu desejo e o que eu preciso vai além da liberdade.
Minha alma precisa de mais.
Tenho fome dessa sensação que eu não sei nomear. Procuro desesperadamente por essa sensação que provei por alguns segundos e, sem nem perceber, perdi.
Sim, é um sentimento leve. Doce. Com um perfume que eu sinto todos os dias mas não sei descrever. Talvez tenha o cheiro da chuva misturado com algum cheiro perdido da infância.
É uma sensação que me escapa por entre os dedos. Não, não posso tocá-la. Mas sinto que, numa fração de segundos, ela me passa pelas mãos. E eu, num esforço vão, tento apanhá-la. Não, não consigo.
Procuro em todas as palavras, em todos os beijos, em todos os abraços...Procuro no mais profundo das minhas lembranças. Procuro para que eu possa viver essa sensação a todo tempo.Mas não à acho em corpos,cheiros , nem sabores.
Talvez quando me exponho aqui, sinto essa fragrância misteriosa...Talvez porque essa fragrância tão doce e que tanto me atrai venha da alma.

Confessionário (Mentiras)

 Confesso que naquele momento, tudo era uma questão de perigo. A vontade de fugir estava escancarada no rosto, na pele, nos traços. A vontade de cair latejava a intervalos regulares, cada vez em ondas mais fortes como uma ânsia mal comportada. A vontade de ficar sentada em um canto remoendo pequenas picuinhas, cartas inexistentes de um passado tão esquecido e digerido. Sorrisos duvidosos e músicas dançantes disfarçavam o ar funesto, e seus dias de adeus caminhavam como se o mundo suportasse - ou se importasse. Queria mesmo era ir embora, ou não mais voltar. Que aquela que era ela fosse esquecida e que uma nova personagem assumisse o controle para que as antigas dores fossem enterradas em funerais solenes. Uma nova ela assumiria novas dores recém-pintadas, recém-nascidas com gritos cortantes e ossos leves.

Que tudo fosse o necessário, o possível, o manejável.

Mas é que naqueles dias em que as estrelas se escondiam e o céu acinzentado quase chorava, naqueles dias o perigo era real e palpável como se um de seus antigos fantasmas sussurrasse segredos indesejáveis.

Não era culpa de ninguém. Não era sorte de ninguém. É que a verdade não era por acaso. Nem suas mentiras.



Confessionário (Nó)


Confesso que estou fugindo de novo, e que é algo que faço muito bem. Não deixo traços ou portas semiabertas para voltar - ou para ser encontrada. 
Nada de migalhas de pão, nem tijolos dourados para achar o caminho, as janelas estão bem fechadas. Apago as pegadas na areia, e ando ao contrário, sem guia, sem placas.
Insulto quem tenta ficar. Furo e tudo mais.
E quem tenta me afagar encontra em minha pele espinhos, e em minhas mãos, pedras.
Ando violenta, cortando laços e esmurrando lembranças. Pisoteando histórias.
Não me escondo atrás de mentiras, mas uso as verdades como escudo, endurecendo a pele, escurecendo os olhos.
Confesso que não sei como desfazer esse nó



terça-feira, 26 de abril de 2011

Confessionário (Me encontre)

Confesso que estou parada no mesmo lugar.Esperando no dia escuro.Imaginando que você estaria aqui, pois, você deveria estar.Mas não há nada além da chuva.Sem pegadas no chão. Estou tentando ouvir algo mas não há som. Será que há alguém tentando me encontrar?Ninguém virá me levar para casa? Não! É apenas um maldito dia frio , e estou tentando entender a vida [...] Esperando que “ele” chegue e pegue a minha mão, e me leve pra um lugar novo. Eu não sei quem ele é, mas eu sinto que ele existe, sinto que ele está aqui...talvez, procurando por mim! Estou tentando encontrar aquele lugar que todas as noites eu sonho, tentando encontrar um rosto. Há alguém aqui? Alguém que conheço? Porque nada está dando certo? E toda essa bagunça? Entenda. Só não gosto de ficar só.
Posso até está ficando louca, mas, sinto que de alguma maneira você pode me sentir [...] e não quero sentir sua falta essa noite.Eu não quero que ninguém do mundo me veja pois acho que eles não compreenderiam: Eu quero apenas que você saiba quem eu sou! Sei que você me entende. E você ,assim como eu, não pode lutar contra as lágrimas que nem estão vindo, ou viver os momentos de verdade, ou fingir bem as suas mentiras. Nem tudo pode acontecer como nos filmes.Sim,você sangra apenas para saber que está viva!Eu não sei como vou me sentir amanhã [...] E eu não sei mais o que dizer amanhã [...] Então me encontre ou deixe eu te encontrar


Confessionário (Adeus)

Confesso que serei honesta. Estou pensando em você desde que acordei. Pensando bem, não consigo ao menos  lembrar se dormi.Só lembro que peguei sua foto e a olhei o tempo todo [...]
E as lembranças voltaram a viver. Elas hoje voltaram e eu não me importo!
Eu lembro quando nos beijamos.Eu ainda tenho aquela sensação em meus lábios. Quando você dançou comigo sem nenhuma música tocando.Ainda lembro das coisas simples [...] Lembro até eu chorar. Pois ainda existem coisas que  eu desejaria esquecer.Memórias que eu quero esquecer.Eu acordei essa manhã  e toquei a nossa música.E com lágrimas eu a cantei todinha e sozinha. Então peguei o telefone e disquei o seu número... desisti de ligar, por que eu estou apenas perdendo o meu tempo. Passando o tempo antes que eu lembre novamente do que eu quero esquecer... antes que eu te perguntei o porquê... antes que eu ouça sua voz novamente me dizendo adeus.