domingo, 27 de fevereiro de 2011

Confessionário (Extra,extra,extra)

Confesso
que hoje me faço vendedora. Extra!Extra!Extra! Vende-se uma viagem para a lua;conheça os buracos da atmosfera...deixem pegadas nas crateras.
Mais barato que ir para o Japão,mais seguro que voar de avião...
sem ressalva,sem escalas,Demorei mas fui...da janela vejo a minha vida retomar.
Acho que eu vou saltar,eu não quero ficar aqui parada sentindo medo...
vendo a gravidade me segurar. Eu cansei de ficar aqui tentando derreter o gelo
Sinto, mas eu não me adaptei. Então alguém feliz, me segure que eu vou pular.



sábado, 26 de fevereiro de 2011

Confessionário 3 A'

Confesso que desde o primeiro dia de aula tínhamos a consciência de que em 300 e poucos dias nós iríamos nos separar.Confesso que hoje olho nossas fotografias e sinto saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos.
Saudade até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim do companheirismo vivido... saudade da Dayse falando + do que o professor, do Flávio pedindo bons sentimentos, da Sila prometendo surra a todos. Saudade da Meire resolvendo cálculos no intervalo e do Wanderson dizendo: -"Meire, mulher... deixa de coisa!". Nós sabíamos que em breve cada um iria para um lado,cada um seguiria sua vida, seus sonhos... O plano era esse! Lembram? O plano era ser feliz, independente da ventania, do barco calejado, do teatro da vida mal ensaiado. Sei que nós iremos nos encontrar, talvez, nos e-mais trocados, nos acharemos na caixa de mensagem esquecida...Podemos nos telefonar conversar algumas bobagens..Aí os dias vão passar, meses..anos..até este contato tornar-se cada vez mais raro... certamente nos perderemos no tempo! 
Confesso que espero pelo dia em que meus filhos  verão aquelas fotografias e perguntarão? Quem são aquelas pessoas? E eu direi em alto e bom tom: -"MEUS AMIGOS"
E isso vai doer tanto! 
Lembrarei que foi com vocês os melhores momentos da minha vida. Os melhores abraços, as fantasias de uma boneca, uma visão do Brasil e até os contos de uma adolescente. Fomos Egito, fomos Moçambique,fomos Etiópia ... fomos narradores,personagens & público... fomos mentira,verdade e cumplicidade... fomos estudantes,poetas,dançarinos e malabaristas da vida... fomos domadores de feras e palhaços de sonhos encantados... Fomos colegas,fomos amigos e seremos ETERNOS'
- Muito tempo já se foi, pouco tempo se parece... uma vida inteira já se foi e a gente ainda esquece. Num piscar de olhos tudo passa em nossas mentes... alegrias ,tristezas,derrotas mais sempre andando pra frente.E fica uma saudade, nos restam as lembranças do tempo que aqui passou...e ficam os exemplos,firmados na memória... Pois a história não acabou... e nos encontraremos pela vida... como grandes personagens que somos... Aladim, Peter Pan, cinderela, anão, duende e dragão, amigos eternos que realizam os sonhos que SONHARAM      JUNTOS. 





sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Confessionário (Ódio)

Confesso que todo aquele amor se transformou em ódio.

Ódio esse que me arrebatou a Alma



Confessionário (Procura-Encontro)

Confesso que  resolvi que não vou mais viver em função de achar alguém para suprir minhas carências. Resolvi não procurar mais nos sorrisos a solução para o vazio que tem aumentado a cada dia em mim. Por pior que seja ter que admitir  que eu preciso de alguém pra chamar de meu , resolvi não ficar tentando  achar um sorriso que encante o meu. Eu não sei mais conviver com essa ausência em meio a muitos. Minto para mim mesma, finjo que não preciso de ninguém para ser feliz e acabo emudecendo meus sonhos , me acovardando da vida , dos meus pequenos delírios. Só para parecer forte diante dos outros. Fico imaginando o dia em que um alguém vai somar-se  a minha alegria, a meus planos , a minha felicidade e transforma - lá em nossa. Tudo em volta parece não evoluir, para que esse alguém  cruze meu caminho. Me interrogo infinitas vezes sobre o que me falta , se a sensibilidade para enxergar os sorrisos ou as oportunidades para que isso aconteça. Mas  as interrogações serão esquecidas, as suposições postas a prova e os porquês  docemente não respondidos...Pois resolvi não procurar mais os sorrisos e sim fazê-lo me encontrar. Confesso.





Confessionário (Olhos)

Confesso que vou descomplicar nosso caminho que está sempre tão cheio de galhos. Se eu ao menos soubesse, se este realmente é o caminho certo. Você consegue ver o que está acontecendo? Estamos presos e sozinhos nesta tempestade e só podemos salvar a nós mesmos. Não acho que deveria doer desta forma, mas então que venha. Tem alguma coisa maravilhosa nos seus olhos me hipnotizando é perigoso mas eu não me importo.



Confessionário (Pesadelos)

Confesso que se os meus pesadelos infantis eram terríveis, preferia tê-los de volta do que acordar todos os dias da minha juventude sem a minha plena liberdade de ser feliz.


Confessionário (Espinhos Venenosos)

Confesso que desde que fui embora tudo está tão irreconhecível. Meu sorriso nunca foi tão forçado quanto agora. Depois que eu me fui o mundo pareceu ter virado de cabeça para baixo. A neblina lá fora deu um ar mais sombrio na partida e eu estou tentando compreender. Às vezes é difícil andar de olhos fechados quando você não deixa ninguém te ajudar depois de uma queda. É difícil olhar no rosto de todos e dizer, "eu estou bem", quando na realidade estou sangrando por dentro.
“Eu apenas estou tentando sobreviver em meio à esses espinhos venenosos que me cercam, mas está doendo..."


Confessionário (Maratona)

Confesso que enquanto isso eu fico aqui sentada na poltrona vendo a lua, e imaginando como seria te ter por perto...
Mas não da pra fugir de você, quanto mais eu corro, mais eu te vejo aqui. Eu não estou correndo em círculos, acho que tudo que corri pra escapar de você equivaleria uma maratona. Sem um pódio final, somente uma única atleta, sem um troféu de campeã ou um beijo na chegada...
Mas só de ver teu sorriso feliz já muda tudo... e canso de correr .Eu não quero correr pra você, eu quero correr de você.
Então feche os braços, e não me deixe chegar.


Confessionário (Dois Eu's)

Confesso que a essa hora da madrugada eu admito meus dois Eu.Confesso, nada é o que realmente deveria ser, e isso era absolutamente um problema. Quanto às conseqüências... Talvez fosse importante, talvez não. Ela está à beira da histeria. Eu não diria que ela está errada, mas não consigo lhe dar razão. Está andando de um lado para o outro, gesticulando muito e falando rápido. Talvez ela tenha medo de perder o controle e desabar. Aposto que é isso que ela gostaria. Tenho certeza que se ela pudesse pegar as palavras com suas mãos rápidas, ela as faria.Pois meu próprio sonho é colocar isso em minha cabeça. Eu tenho vontade de lhe dizer para desistir, então eu me lembro de que já disse isso e que ela ainda não desistiu. Eu desisti
Eu já não a escuto. É fácil ignorar o barulho que vem de fora. É como estar presa no trânsito com meus fones ligados. Estou ignorando e já nem sei há quanto tempo. Não me importa quantas vezes ela venha, eu simplesmente não consigo respirar de novo. Metaforicamente falando, eu estou sufocando. Não, já sufoquei. E é isso que ela não entende. Sou uma mulher com a fazeres de vários dias, com o mesmo pijama há vários dias, com comida estragada na geladeira, com uma casa que tem um cheiro estranho. Sou um garota que se afagou.
Em alguns momentos eu queria lhe dizer que me esquecesse, que seguisse com sua vida, que se casasse e fizesse lindos e revoltados filhos. Mas antes de mais nada, sou egoísta. Cheguei a essa conclusão em uma noite de insônia.  Sou egoísta o suficiente para me afogar e deixá-la nessa missão de salvamento fracassada
Ela deu um grito, uma vogal ainda ressoa da palavra perdida. Está tentando recuperar minha atenção. Essa mulher, que um dia foi eu ,mulher da minha vida... a que está em meu corpo desde o dia do meu nascimento... meu reflexo no espelho embaçado , ela sabe que eu não a escuto. Talvez não seja eu a egoísta. Ela está na minha frente, olhando nos meus olhos. Eu sei que ela está usando palavras doces tentando me incentivar, deve ter lido novos livros de auto-ajuda noite passada. Será que ela tem certeza que sou eu que preciso de ajuda, ou será que na calada da noite, encostada em sua cabeceira com sua lanterna  ligada, tentando achar as palavras certas, será que não é ela que está tentando se salvar? Será que eu poderia ser a ponte para essa mulher ser salva? Se pelo menos fosse tão simples.
Mais uma vez ela me olha com esses olhos frustrados, uma nuvem de desespero mancha seu semblante normalmente tão pálido. Acho que ela vai desistir, tenho quase certeza de que ela finalmente encontrou seu limite. De alguma forma eu quase me sinto aliviada, mas em alguns momentos, em uma fração de segundos, eu me sinto desesperada e um tanto decepcionada. Minha consciência havia me alertado desse risco, ou dessa conseqüência. Em algum momento as pessoas se cansam de tentar ajudar, elas se cansam de não conseguir ajudar, e principalmente, elas se cansam de serem sempre afastadas. Não é como se eu me importasse. Não é como se qualquer coisa importasse.
Ela está no banheiro. Eu escuto a torneira ligada. Posso até imaginá-la se olhando no espelho tentando encontrar a coragem, tentando se encontrar. Ela tem uma decisão a tomar. Não quero tentar imaginar o que ela vai fazer, mas sei que quando aquela porta se abrir algo vai acontecer. Ela pode continuar tentando ser a boa moça que sempre foi e se machucar um pouco mais, ou ela pode ir embora, deixar a chave para trás, deixar essa história tão cansativa para trás... Ela pode me deixar para trás. E eu só consigo pensar que isso deveria importar.
Ela chorou.
Eu gostaria que as coisas fossem diferentes. Eu gostaria de poder reconfortá-la e lhe dizer que tudo vai ficar bem. Gostaria de caber nos seus sonhos e ser a garota certa. Pode parecer idiota, mas eu gostaria mesmo. Ao invés disso, eu tomei uma decisão. Uma decisão que muda tudo.
  Ela parece não saber mais o que dizer, mas continua aqui. Ela não sabe que tudo vai mudar, e me pergunto o quanto ela vai me odiar. Minha decisão está tomada, e em meses essa é a primeira vez que eu me sinto decidida. Isso quase me revigora. Mas também me dá um certo medo.
Tenho vontade de lhe dizer: vou embora. Vou deixar apenas um sentimento nesse corpo.Dois Eu’s não cabem aqui.Tenho vontade mesmo. Mas não acho que ela entenderia, não acho que alguém no mundo entenderia. Vou abandoná-la. A decisão cresceu como fogos de artifício estourando aqui dentro com estalos que só eu escuto. Eles me deixam surda para as palavras dela, me deixam surda para todo o resto. Não acho que minha intenção seja fugir, por mais estranho que pareça acho que minha intenção é sobreviver. Será que faz algum sentido?
Eu a olho agora. Não apenas olho, como também a vejo. Estou me despedindo, tenho certeza. Não sei quando a verei de novo, não sei quando voltarei, sequer sei para onde vou. Mas vou. E deixá-la é minha forma de dizer que a amo. É minha forma de cuidar dela.Sou egoísta. Eu sabia... Eu poderia ter ficado aqui como a 18 anos eu estou... e ser apenas uma... mas, a cada dia eu me aumento, me divido e já não há espaço para quem tenta me trazer de volta.Um lado é sobrevivência;outro lado é suicido. Um lado é perdão ,do outro lado é vingança. Um lado é nova paixão,do outro lado é não ter coração. Um lado a trás de volta,outro lado a expulsa de tudo que é dela. Um lado se multiplica, o outro se subtrai... um lado vai embora... o outro quem sabe à salvará. 


Confessionário (Sonhando)

Confesso que quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho…
E não sou nada!


Confessionário (Como voltar)

Confesso que leio hoje os meus próprios textos, os mais lindos e mais inspirados, e me parece que foram escritos por outra pessoa, e não por mim. Sinto como se eu tivesse mudado, como se eu agora fosse uma outra pessoa completamente diferente, que não pode mais sentir, escrever, descrever, acreditar, naqueles sentimentos e afirmações que há naquelas linhas. Sinto Saudades daquele outro Eu, o que escreveu todas aquelas linhas, que parece que de fato já morreu, e não tem mais como voltar...


Confessionário (Folhas em branco)


Confesso que estou agora com um caderno quase que totalmente vazio à minha frente. Enquanto folheio suas páginas em branco, sou indagado pelas suas linhas também em branco, onde estão, para preenchê-las, os versos que eu ainda não escrevi...
E que nunca escreverei...


Confessionário (Não haverá mais versos)

Confesso que não haverá mais versos. Só conclusões, desabafos, lamentações... Mas não haverá mais versos... 


Confessionário (Arghh)

Confesso
que eu já quis ser de tudo e até sonhei em ser piloto de avião...
Finalmente alcancei o céu no instante em que ele me estendeu a mão [...]
Confesso que não me permito relembrar... só não consigo parar de comparar...perguntar... & me perder...
Ele era um aspirante... um poeta,eu era a inspiração. E pra ele qualquer coisa em mim despertava uma canção...logo eu que sempre buscava em tudo um porque;
com ele bastava estar, sentir e viver. Argh...
Ah,acho que confesso...



Confessionário (Inteira)

Confesso estar inteira, apesar de despedaçada.



Confessionário (Inconstante & borboleta)

Confesso

que havia parado de confessar; dizendo a mim mesma que estava cansada.Então reparei, que não estava parando pra descansar e sim, para desistir.
Mas, ainda sou um coração batendo no mundo, e isso faz toda a diferença!
Não sou mais aquela menina de ontem, andando abraçada com os retratos de uns tempos que não voltam. Agora sou uma mulher com minha própria história.
Posso até encontrar-me sozinha, mas,por enquanto estou inventando uma presença...
Descobri que eu sou mais forte do que eu.
Então, não tentarei + me entender nem me definir toda madrugada.
Continuarei assim...
inconstante e borboleta



Confessionário (Cor não Catalogada)

Confesso
que hoje estava observando crianças pintarem... Seus desenhos não tinham forma... alguns quadrados meio redondos... alguns açudes amarelados... e cabelos de
tom rosa...
Eu diria que aquilo sim, era uma aquarela perfeita. Dessas que nem "Toquinho" em sua canção conseguiria descrever. Então, pensei... e tenho que dizer o que
passa pela minha mente...
Alguma coisa sobre nós não parece certa nesses dias;a vida sempre continua...se entregar é uma bobagem...podemos até nos encontrar perdidos, eu entendo, precisamos encontrar o nosso lugar no mundo...
Mas por enquanto... precisamos seguir esse caminho não identificado.
Confesso que sei o quanto é triste ter esperança um dia e no outro ver ela desmoronar... é repugnante ver que toda cor virá cinza; e é triste ver tudo perder a cor assim, lentamente. O mundo escureceu ou perdemos a nossa visão?
Tudo desmoronou ou desistimos daquilo que ainda tínhamos nas mãos por medo de não ter forças o suficiente pra segurar? Nossa vida perdeu o sentido?
Não vamos ter a terrível limitação de viver a procura daquilo que faz sentido.Chega de verdades inventadas. O coração ainda bate, lentamente, porém bate... isso é o suficiente para misturar essas cores de coração sangrando, com lágrimas das madrugadas...e criar uma cor não catalogada + que seja capaz de nos repintar a alma.




Confessionário (Levanta)

Eu sei que aqui é um confessionário e não um lugar para meus próprios conselhos...
Mas...
Mude!
Mude de casa, mude de bairro, de cidade, estado, país... mas Mude! Aprenda música, se já sabe tocar um instrumento, aprenda outro. Faça algo que você nunca imaginou fazer. Faça dança. Faça trabalho voluntário. Talvez para algumas pessoas seja diferente, mas eu acredito que só se supera um quase-amor, um 'e se' encravado na carne quando você se encontra. Então saia da sua zona de conforto, se perca, enfrente pelo menos um medo por ano. Você precisa se perder totalmente pra poder se encontrar. Faça seu coração voltar a bombear, mesmo que para isso você precise virar seu mundo de cabeça pra baixo. Arrisque. Quando foi a última vez que você viu um pôr do sol? Mesmo que você tenha perdido a vontade de fazer as coisas que antes te divertiam, force. É igual comer aquela sopa horrível quando a gente tá doente. Escreva esses sentimentos ruins, esses momentos ruins, tudo que em você dói e guarde em uma caixa. Os bons momentos, leve com você. Eu sei que é mais fácil falar do que fazer, mas tente. 
E ache um sonho. Tenho certeza de que dentro de você deve ter um sonho adormecido em algum lugar. Meu conselho é, encontre em seu mapa o caminho que te leve aos golfinhos. Não importa quanto tempo demore. Faça planos a longo prazo, mas viva um dia de cada vez, uma hora por vez.
às vezes a gente só precisa de alguém pra gritar na nossa cara: Levanta!
Então, hoje estou a gritar pra o espelho.Confesso.


Confessionário (Cores)

Confesso que se dermos mais valor aos segundos, não perderemos um só minuto de felicidade nesta vida derradeira.
Sabe , há sempre um arco-íres lindo após a tempestade, vamos brincar com ele! Vamos nos contagiar com a magia da natureza... Sofrer faz parte e até nos ensina a crescer. Hoje nas páginas da minha vida eu quero tudo colorido e está sendo fácil, é só jogar fora aqueles tons escuros que a tempestade por mais que tenha passado deixou. Que tal tentar?!


Confessionário (Lost)

Confesso que não acredito mais que eu possa me recompor...
Ver o mundo em cinza agora já é o que me parece ser normal...
Confesso que eu não sei, não acredito que tenha direito a um insignificante, minúsculo que seja, quinhão de Felicidade, nesta Vida ou em outra...
Confesso que nunca na minha Vida me senti tão perdido, e tão nulo...
Confesso que acho que matei a minha Criança Interior, que me era tão cara, e que havia sobrevivido heroicamente durante toda a minha Vida...Confesso que ao escutar essa afirmação o meu dia deixou de ser cinza com contorno escuro. Engraçado, pensei que eu fosse me enterrar de vez!

Confessionário (Lágrimas em Demasia)

Confesso que precisamos de uma dose de felicidade. Não quero mais inundar a minha vida com lágrimas que os outros não merecem. A partir de hoje as minhas lágrimas serão minhas... E só as derramarei por ser feliz em demasia.


Confessionário (Recompor)

Confesso que há dias eu tento me esconder... Fugir do poder de persuasão das pessoas... Não quero me subtrair mais. Eu quero ser a borboleta, aquela que passou pelo processo de metamorfose e hoje bate asas de felicidade. Eu quero um mundo colorido com outonos e primaveras... Eu quero ser aquarela... Mas antes preciso me recompor.


Confessionário

Confesso, que como eu previa, vou morrendo junto com esse sentimento que quero eliminar... Ou melhor, já estou morto, vivo porque tenho que viver, faço as coisas porque tenho que fazer, e só. Já não escrevo mais poesias, não consigo mais idealizar nenhum verso, nem mesmo acreditar em nenhum, sou uma incrédula séria, amarga e vazia, só isso... 

Confessionário

Confesso que os meus confessos mudam a cada instante, talvez, eu seja uma mentirosa... ou uma inconstante mulher.


Confessionário

Confesso que o difícil não é seguir em frente, mas não olhar pra trás.
...dias melhores virão, e o coração volta a bater devagarzinho, mas volta, sempre volta


Confessionário

Confesso que me sinto aliviada quando venho aqui. Acho que é essa a palavra. Aliviada por não ser a única a me perder, por não ser a única a naufragar em ilhas esquecidas. Por não ser a única a dar amor à pessoa errada. Por não ser a única a me sentir sozinha em dias em que o céu desaba. As palavras me são companhia. Então, não sou a única nessa imensidão.
Confesso que tenho sentido medo, e odeio sentir medo. Ele não me paralisa, mas me deixa lenta, com as mãos dormentes e o coração irregular...
Confesso
que eu o superei. Superei de verdade, sem meias verdades dessa vez, sem sustos de recaídas. Mas preferia não ter feito. Deixa uma sensação amarga de solidão. Prefiro carregar meus fantasmas comigo. Quanto mais os deixo pelo caminho e esvazio minhas malas, minhas lembranças esquecidas em perfumes desbotados, mais solitário o caminho fica. Tenho saudades dos meus fantasmas que me acompanhavam.



Confessionário

Confesso que escrevo... não porque simplesmente as palavras me tomam e me assombram. Escrevo porque minha força e minha pena tremem de tal modo que alguém, além de mim, precisam aparecer. Precisam se mostrar fortes e ir além, precisam participar, dizer ao mundo que existem e gritar da única forma que conhecem: EU ESCREVO! Eu escrevo porque sou tomada de assalto, sou invadida, sou obrigada a responder aos anseios de quem não me entende, de quem não me conhecem, de quem não me permite entrar...
Eu escrevo porque preciso, porque assim faço parte, porque eu me leio
quando escrevo, onde dificilmente me ouviria...Eu escrevo porque consolo, porque entendo, porque acredito que nesse tempo onde nos lemos, somos mais que eu e você e ambos, assim nos entendemos.Eu escrevo porque de outra forma eu não me ouviria...Eu escrevo porque acredito... em mim! Em nós todos!


Confessionário

Confesso que a dor não para de latejar...A todo instante, não para de gritar...E toda noite vem meus sonhos visitar...Só para se certificar,que não sou capaz de o esquecer...Nem mesmo posso fazê-lo adormecer.
Não há mais motivos de se fazer presente! O amor só faz lembrar... Você nem ao menos foi capaz de em meus olhos olhar!Como quer me fazer acreditar?Sinta o que não sou capaz de lhe dizer...Sinta o que esse amor é capaz de causar...Só isso o tornara capaz de entender.Como meu coração sangra e grita cada vez mais.Ninguém vê, ninguém ouve, ninguém parece se importar.
As paredes de meu coração agora arranhadas nunca mais irão cicatrizar.A maneira que tenta me fazer acreditar...Me corroem cada vez mais...Com o coração apertado...Não sei o que fazer...Só de pensar...As feridas voltam a sangrar...E a cada instante parece doer mais...Será que nada conseguira fazer isso parar ?
Será que essa angustia vai continuar a me dominar?



Confessionário

Confesso que Hoje me deu aquela vontade louca de ser um rio. Só pra poder desaguar em quantas marés eu pudesse...Um rio não escolhe, ele simplesmente vai. Abra o caminho e lá estará ele, seguindo tímido ou levando casas, mas ele vai. Forte, determinado, pelos menores buracos...Desde a nascente escondida, até o descer de cachoeiras, qualquer percurso não planejado fará, convenientemente, parte do caminho...Um rio não precisa decidir... Ele se espreguiça até onde der, onde alcançar, correndo sem ficar exausto. Rios têm atitude. Rios não têm vergonha. Rios nunca se arrependerão.
Um rio não precisa querer voltar. Ele já passou, mas continua ali de alguma forma. Com correnteza ou sem, nunca estará do mesmo jeito, nunca estará no mesmo lugar. E, mesmo assim, quem o vê, pensa que vê o mesmo rio, a mesma água...Rios podem ganhar força. Podem se unir à chuva, se unir à terra. Mas nunca desistirão. Nunca deixarão seu elemento. Rios nunca perdem a graça. Rios seguem sua própria regra...
Um rio pode virar mar. Pode encontrar outros rios, pode virar novo...Um rio pode gerar e embarcar vidas. Pode fazer bem, seguir bem...E, claro, um rio pode secar. Mas deixará seu rastro, deixará a falta.
E, melhor do que ninguém, um rio não tem medo. Segue seu curso, decidido. Ele sabe que a sua missão é essa. Não há erros, não há fim, não há obstáculos...Há só as suas pequenas milhares, bilhares, incontáveis gotas. Aquelas que, assim como eu, têm medo da vertente escolhida. Têm medo da descida da cachoeira. Têm medo do desapego, do raio do sol na superfície.Mas, que ainda sim, sabem bem, que fluir é necessário...E pode, inevitavelmente, levar pro mar.



Confessionário

Confesso que estou sempre procurando por mim...nas ruas ,nas avenidas,me vejo em outras
que habitam o meu interior ocultamente...uma outra que é depravada ,que explora seus sentidos...sem nenhum pudor...uma outra que grita...que geme e treme de prazer...
que não espera acontecer...que se entorpece em viagens...sem medo de se perder...
se perder de quem??? se ela sou eu,inventada ,recriada...criação que é mais real
que eu mesma...quando não sou a outra,não sei quem sou...
talvez um baú ...repleto de segredos...que nem eu mesma os conheço,que só a outra pode revelar...sussurrando em meu ouvido toda noite uma cantiga excitante me fazendo acreditar...e por segundos nos encontramos eu e a outra naquele ponto...
onde tudo é orgia e alegria...quando ela se retira,por fim, resta apenas uma nostalgia de mim...




Confessionário

Confesso que estou Fingindo ser poeta...Não vou dizer quantas lembranças tenho...
Pois, posso esquecer algumas...não posso lhe dizer quantos momentos maravilhosos tenho...
Pois, esqueceria alguns...Não posso falar quantas alegrias eu tenho...
Pois são poucas perto do que ainda terei...Não posso falar quantos segredos eu tenho...
Pois, se não revelaria uma parte de mim...Tristezas eu tive, porém...
Bem menos do que os sorrisos que ainda darei...Nunca me disseram que seria fácil.
Não seria capaz de dizer o quanto eu amo...Pois, o amor cresce... se fortalece... resplandece...Nunca seria capaz de dizer o quanto preciso...O precisar é preciso, e necessário para todos...Jamais poderia dizer o quanto me importo...Minha consideração, meu apreço, minha estima...Nunca seria capaz de dizer o quanto quero...Pois, o querer passado aumenta no presente...Querendo o presente... desejando estar no futuro... sempre...
Nunca seria capaz de demonstrar tudo o que sinto...Pois, algo sempre se perde em sua trajetória... em seu destino...Permanecendo apenas em nosso eu... em nossas lembranças...
Nunca vou entender o porque de tudo... E nunca vou desejar entende-los...
Nunca poderei dizer que sou poeta...Pois, as mais belas palavras já foram ditas e escritas...
Jamais serei um poeta...Pois, as palavras no papel saem diferente do que pensamos e sentimos...Como as folhas secas da primavera...



Confessionário

Confesso que hoje gostaria de descrever o tempo...
As mais sublimes lembranças...
Discorrer no papel a essência da alma, os anseios mais íntimos.
O peito inflando e o sentimento de esperança...
Prever o futuro e esquadrinhar o passado,
Lembrar dos detalhes...
Percorrer a infância e respirar os ares da adolescência...
Gostaria que o pincel, a pena
Ou simplesmente a caneta, a tecla.
Fosse parte do meu corpo, e as mãos dos meus pensamentos...
Gostaria de falar do cativeiro do espírito...
Da liberdade da alma...
De Deus...
Verso, universo...




Confessionário

Confesso que a caneta é o instrumento que não me deixa só na minha solidão...
Minha muleta muda, minha bengala, minha vida...
Cadê a caneta que escorre minhas palavras pela sua língua?
A tampa, para quando eu quiser parar e mesmo assim preservar meu veneno...
Onde está o antídoto, o remédio e a cura?
Na borracha, na ausência de palavras, no silencio de dentro... de onde não se fala...
No lugar que ninguém imagina...O antídoto está na dor...



Confessionário

Confesso que segredos, tenho aos montes, escorrendo de presas afiadas como veneno ácido...
Matando o bom e o mau em mim...
Falta de conectividade, sabe como é?
Quem entrasse aqui ficaria perdido com tantas portas fechadas, tantos compartimentos secretos e tantas histórias guardadas...
Se soubesse, seria diferente... Mas se entendesse, entenderia tudo errado... Duplo sentido do mesmo quebra-cabeça... E que se dane todo o resto, vou pintar meu quarto de vermelho e acordar com o sol pegando fogo... Poesia... É tudo que eu tenho... E cartas não-enviadas... E sonhos moribundos... E palavras não-ditas... Promessas não-cumpridas... Um monte de coisa para vomitar por dentro e escorrer em veias abertas e fechadas... Cicatrizes de nuvens e tempestade interna... Apagando um pouco... Queimando um pouco...
Não há ninguém em casa...



Confessionário

Confesso que a sensação de 'estar superando' tem engatinhado aqui dentro, somos velhos amigos em encontros desastrosos. Caminho lentamente com o coração falho, lembranças engavetadas, sabe como é? Talvez agora eu possa encarar as escolhas que fiz com mais orgulho que dor. Com mais amor e menos mágoa. Amor por mim mesma - se é que sobra algo. Dê o braço a torcer e peça por mim, estou arriscando muito. Feridas semi-abertas, ou seria semi-fechadas? Olhe para mim... Tenho novas cores, novos traços, o esboço de um sorriso antigo...
Talvez eu supere mesmo. Talvez eu corra cirandas encantadas e rasgue páginas. Um número de cada vez. Um dia de cada vez. Um sonho por dia. E um dia por sonho. Memórias transbordando sem finais felizes, sem ponto final. Só você e eu. Não. Só eu. E hoje. Porque o pôr do sol era mágico e era só meu. Um céu inflamado de dores superadas e cuspidas, pois não quero mais nada disso...pois há
mais de mim em mim, do que de você em qualquer lugar que eu olhe. É uma pena...


Confessionário

Confesso que a revolta ainda se faz presente em mim.Então me deixa brilhar que vou chorar mais tarde. Minha verdade está escondida, minhas trevas disfarçadas de sombras gentis. Você não veria nada se eu não te dissesse. Se eu não te mostrasse, as cores continuariam contentes em girassóis envenenados... Mas não te mostro. Por pura vingança te deixo acreditar em arco-íris transplantados de felicidade barata. Espero que se machuque. Espero que a vida te doa pelo menos um pouco. Coração de gente grande é assim, um monte de cicatrizes de guerra, um pouco calejado, alguns chegam mesmo a faltar um pedaço, quase a metade, e de vez em quando ainda sangra, nos dias de chuva até dói um pouco, como joelho velho em um corpo novo...E se ele cantar em noite de lua cheia, não se assuste. Mas lembre-se de mim. Talvez o meu coração também esteja cantando. Serenatas no vão do tempo. Um pouquinho de memória, e um pouco de álcool só para acompanhar, e uma ressaca sem fim...