Confesso que açoito os pensamentos presos na linha invisível, do dia de amanhã e o nada abismal de cada um, vamos vivendo um passo de cada vez e a estrada é larga demais, nos afastamos então...com receio de que alguém nos tome por pessoas de sentimentos. - Como você está? -Estou bem! ela diz. Quando na realidade eu sei que ela diria, tímida e num único fôlego: Estou me acabando, os dias parecem longos demais, meus olhos estão cada vez mais vazios, estou morrendo, acho, de uma doença lenta e não catalogada... e então olharia com os olhos em desespero, orgulhosa demais para dizer: me salva! Olharia então para a outra e diria, com um sorriso amarelo - E você? Como está? Já pressentia desde já o abismo nos olhos da outra. Estamos sozinhas... Seriam as palavras não-ditas guardadas no silêncio pressentido.
Vamos dizendo então para o nada e para o ninguém...

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