Resposta
Confesso que ela adorava descobrir que ainda tinha fôlego para mais uma longa caminhada. Embora soubesse. Ah, sempre sabia até onde podia chegar, mesmo que o futuro nada lhe revelasse, mesmo que o dia seguinte fosse apenas uma promessa, sabia que podia sempre se levantar... Mas precisava da surpresa, do prazer que era cada descoberta, e escondia de si mesma - como um cão que escondia o osso apenas para depois encontrá-lo enterrado num lugar esquecido - escondia a sua própria força armazenada no seu mais profundo abismo, e este, enfeitava com flores azuis só para ver, intrigada, a ironia da beleza e das flores que nasciam também em túmulos, em terra seca, terra queimada.
Brincava com o perigo - pior que fogo, porque desse ainda se podia morrer - Se balançava no seu nada como um jogo de vai-e-vem, destemida e impregnada de um acaso que só a sorte concebia. Só Deus ,só o acaso, só a sorte, e estes se mesclavam e surgia então a sua própria vida. Dizia adeus ao próprio adeus, e desse nada mais se tinha. Erguia a cabeça então, reta, esguia, como serpente encantada. Atormentava-se sempre, com questões irrelevantes, com medo, sempre o medo de descobrir a resposta. 
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