sexta-feira, 13 de maio de 2011

Confessionário (Semi-Infectados de Amor perdido)

Confesso que as estrelas estavam brilhando lá em cima, perfurando nuvens escuras em um céu de veludo. De alguma forma tinha a nítida sensação de que tudo estava em seu devido lugar. De alguma forma o caminho estava certo, e sorrisos de uma calma alegria pintava lábios amargos onde antes não havia sequer palavras.
Não é algo simples, mas também não é complexo.
Que se os dias se escurecessem ainda haveria algo em que se apoiar, em que se segurar.
Que todas as portas se fechassem ainda restariam janelas. E punhos capazes de quebrarem barreiras, muros de concreto.
Estranhava cada vez mais o mundo. Se amava, e se odiava. Todo um pacote estragado de calos dormentes e semi-infectados de amor perdido.
Estava cada vez mais arisca.
E não é que o coração estivesse machucado, mas a paciência havia ido embora. Não queria que ninguém ficasse, que ninguém a amasse ,porque uma pedra jogada no lago afetava até a mais profunda partícula de areia adormecida.  Ela  não queria ondas em seu mundo.
  É difícil confessar a verdade. A verdade é que ela  tem medo de quebrar

frágil foi como a criaram e mais frágil ainda ela se criou...

Não. Não posso dar-te. Tens mãos escorregadias e facilmente a deixarás cair...

Sim, os cacos colam-se.
Sim, eu sei que gostavas de tê-la apenas uma vez.
Sim, a loja tem muitas outras bonecas.
Sim, eu sei que serás passageiro porque, simplesmente, queres brincar com todas.
Mas está não te dou. Porque está sou eu!



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