quinta-feira, 10 de março de 2011

Confessionário (De janeiro à Janeiro)

Confesso que já não consigo olhar em seus olhos, e talvez, por isso sempre terei essa dúvida que me deixa no ar.Existem fases, estações e tudo isso se vai com o vento... e meu pensamento os acompanha,bem devagar. 
Outra vez, eu tive que fugir.Eu tive que correr para não correr o risco de o escutar.E acho sim, que você seja capaz de me falar,talvez, até olhando em meus olhos.Olhos esses que não quero que nunca mais encontrem o seus.Essas loucuras me tiram o sono. E as vezes eu até esqueço que não posso chorar. Mas juro que ficarei assim, desedificante de janeiro à janeiro.Mas sinto que preciso perguntar, mesmo sem te olhar...
O que você fez com minha vida? Melhor, o que você fez com sua vida?
Invade,arranca,entorpece, envenena,promete,finge,bagunça e se mata? Seus atos devastaram tudo. Aliás, nem sei se você ainda tinha algo.Ah,lembrei. Você ainda tem voz! Uma voz sem eco no deserto.Oca na terra e no espaço. Talvez suas mentiras te façam companhia, talvez seu espelho sirva ao menos de reflexo. Ops,talvez você já não seja capaz de se olhar.Quem sabe,assim como eu,você sinta repulsa de sua face. Sei que aprenderá. E quero que aprenda sozinho.Como eu aprendi. Ensine peixes a viver no ar. Então me deixa brilhar que vou chorar mais tarde.Minha verdade está escondida, minhas trevas disfarçadas de sombras gentis. Você não veria nada se eu não te dissesse. Se eu não te mostrasse, as cores continuariam contentes em girassóis envenenados... Mas não te mostro. Por pura vingança te deixo acreditar em 
arco-íris transplantados de felicidade barata. Espero que se machuque. Espero que a vida te doa pelo menos um pouco.Coração de gente grande é assim, um monte de cicatrizes de guerra, um pouco calejado, alguns chegam mesmo a faltar um pedaço, quase a metade, e de vez em quando ainda sangra, nos dias de chuva até dói um pouco, como joelho velho em um corpo novo...E se você cantar em noite de lua cheia, não me assustarei, nem lhe atirarei pedras.Mas, lembrarei de mim mesma.
E então meu coração começará a cantar.Serenatas no vão do tempo.Um pouquinho de memória,e um pouco de álcool só para acompanhar, e uma ressaca sem fim...
Hoje pela manhã me falaram de Santo Platão , e ele me avisou dessa loucura dos deuses...
Que faz dos homens loucos...Capazes de construir asas de cera...
Que o Sol derrete te arremessando ao chão...
Hoje eu serei o Sol!
E se por pura falta de sorte,você sobreviver a queda,ficarás eternamente
louco,pois o sol queimará teu cérebro,arrancará tua pele e destruirá seu coração.
Me perguntarão, por que assim fizeste?
Então,finalmente darei um sorriso irônico de canto e responderei:
"-Somos  eternamente responsável por aquilo que cativamos"


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